Disparidade regional é tema de debate na 4ª Conferência Regional Sudeste de C&T
O segundo dia (31) da 4ª Conferência Regional Sudeste de Ciência, Tecnologia e Inovação (CRCTI) abriu o diálogo sobre as disparidades intra-regionais. Para o presidente do Fórum Nacional dos Secretários e Dirigentes Municipais de CT&I, Sílvio Ramos, que esteve à frente do eixo “CT&I no desenvolvimento econômico e social das cidades”, é urgente a percepção dessas diferenças para estabelecer políticas articuladas e eficazes.
“Não adianta gerar riqueza numa ponta, se essas riquezas não podem ser apropriadas pela maioria da população brasileira, isso tanto do ponto de vista da sua localização geográfica, quanto da sua localização na pirâmide social”, destacou. Segundo ele, é preciso um trabalho mais contundente, que englobe não só o MCT, que tem uma secretaria especial para o tema (Secretaria de C&T para Inclusão Social), mas que articule ações junto ao Ministério da Educação e Ministério do Desenvolvimento Agrário. Ramos também reivindica junto ao MCT a segmentação dos editais de fomento à CT&I de acordo com o porte das cidades. “Os municípios menores não têm condição de disputarem com os que têm uma estrutura consolidada”, observa. Atualmente o fórum trabalha com categorias, que observa uma escala de ações do município voltadas para o setor de ciência, tecnologia e inovação. “Dividimos em quatro eixos, que vão desde os que não têm nenhum sistema até os que já possuem uma política estabilizada”.
Ele também destaca a necessidade do MCT destinar um volume maior de recursos para os programas desenvolvidos pela Secretaria de Ciência e Tecnologia para a Inclusão Social. Ele argumentou que hoje 90% do orçamento é oriundo de emendas e somente 10% são recursos próprios. “É preciso ampliar estes recursos para perenizar os programas. As emendas são bem-vindas. Mas elas devem somente encorpar o volume”, diz. Para se ter uma idéia da diferença na produção do conhecimento na região Sudeste, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais somam 71 institutos nacionais de ciência e tecnologia, enquanto o Espírito Santo não abriga nenhum. “Mesmo o Estado tendo a menor população e a menor contribuição para o PIB, não quer dizer que não tenha potenciais e oportunidades. Então equilibrar a relação intra-regional é fundamental”, disse. No ano de 2007, os investimentos em ciência e tecnologia na região somaram R$ 4,2 bilhões, mas somente São Paulo foi responsável por R$ 3,5 bilhões.
“Nas três últimas conferências as discussões passaram muito longe da inserção do município. Agora nós queremos que os Estados desenvolvam planejamentos estratégicos de C&T com a presença dos municípios como atores protagonistas”, concluiu.










